sábado, 21 de abril de 2012

Médicos britânicos lançam campanha contra 'comidas-lixo'

Médicos britânicos lançam campanha contra 'comidas-lixo'

Da EFE, em Londres - 15/04/2012

Cirurgiões, psiquiatras, pediatras e médicos de todas as especialidades do Reino Unido lançaram neste domingo uma campanha contra a obesidade e centraram suas críticas às empresas de 'junk foods' (comidas-lixo, em livre tradução).

A Real Academia das Faculdades de Medicina do Reino Unido, que representa cerca de 200 mil dos profissionais do país, pediu a proibição de marcas como McDonald's e Coca-Cola patrocinando eventos esportivos como os Jogos Olímpicos e que famosos façam propagandas de comida que não são saudáveis para as crianças.

O organismo que representa os médicos do país considera necessário para lutar contra a obesidade impor "contundentes e duras" medidas para acabar com a publicidade irresponsável das grandes companhias de alimentação.

Estudos recentes apontam que 48% dos homens e 43% das mulheres do Reino Unido serão obesos em 2030.

Uma tendência, que para os médicos, representará o aumento considerável de infartos, doenças do coração e câncer e, por consequência, maior despesa à saúde pública.

Os médicos criticaram as políticas errôneas do Governo britânico, "que deixa a responsabilidade na mão da indústria para que voluntariamente reduza as calorias, o tamanho das porções e assessore os consumidores sobre a maneira de comer saudavelmente".

Neste sentido, pedem que as companhias dedicadas à alimentação sejam obrigadas a adotar medidas radicais desenhadas para salvar vidas em vez de proteger seus lucros.

Entre estas, reivindicam o estabelecimento de uma zona ao redor de escolas onde a promoção de junk food não seja permitida, assim como a proibição de que famosos e personagens de animação façam propagandas desses alimentos que não são saudáveis para as crianças.

Para os médicos britânicos, os fabricantes de alimentos deveram ser obrigados a publicar claramente os dados sobre calorias, açúcar, sal e gordura.

Propõem ainda ao Governo que imponha o denominado "imposto sobre o gordura" que foi aplicado em alguns países escandinavos para penalizar os que consomem produtos considerados não saudáveis.

A academia da medicina britânica iniciará ainda uma pesquisa de seis meses para mostrar que é possível vencer a batalha da obesidade. Ao fim desse período, o resultado será divulgado com as sugestões de medidas a serem adotadas.

Extraído de FSP

Brasil: líder mundial em alimentos envenenados

Brasil: líder mundial em alimentos envenenados

Por Tatiana Achcar

Nunca tivemos tanta comida produzida no mundo, mesmo assim um milhão de pessoas passam fome e outro milhão comem menos do que necessitam. A fome é um problema de economia mundial. Em vinte anos, o Brasil tomará dos Estados Unidos a liderança mundial na produção de alimentos. No entanto, 49% dos brasileiros estão acima do peso, sendo 16% obesos, segundo o Ministério da Saúde. A obesidade é um problema de saúde pública, logo, de economia nacional. Por que esse disparate entre a grande quantidade de alimento e a fome e o sobrepeso? Apesar das commodities agrícolas bombarem as bolsas de valores, o sistema alimentar mundial tem falhas, e das grossas: o modo de produção usa recursos naturais de maneira abusiva, o sistema está baseado na industrialização, que artificializa o alimento, e a distribuição é concentrada e controlada por poucos gigantes do setor. Alimentação em quantidade e qualidade adequada e saudável é um direito humano, mas virou artigo de luxo.

Em seu discurso de posse, no dia 18 de abril, a nova presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar, a antropóloga Maria Emília Pacheco, criticou os agrotóxicos, os alimentos transgênicos e a livre atuação das grandes corporações, apoiada na irrestrita publicidade de alimentos, especialmente entre o público infantil, como nocivas para a segurança e soberania alimentar. "O caminho percorrido historicamente pelo Brasil com seu atual modelo de produção nos levou ao lugar do qual não nos orgulhamos de maior consumidor de agrotóxicos no mundo e uma das maiores áreas de plantação de transgênicos", afirmou. O país que está prestes a tornar-se líder mundial na produção de alimentos abusa de venenos que causam intoxicação crônica, aquela que mata devagar com doenças neurológicas, hepáticas, respiratórias, renais, cânceres entre outras e provoca o nascimento de crianças com mal formação genética. O uso massivo de agrotóxico promovido pela expansão do agronegócio está contaminando o agricultor, que tem contato direto com a lavoura envenenada, os alimentos, a água e o ar. Estudos científicos recentes encontraram resíduos de agrotóxicos em amostras de água da chuva em escolas públicas no Mato Grosso. O sangue e urina dos moradores de regiões que sofrem coma pulverização áreas de agrotóxicos estão envenenados. Nos últimos anos, o Brasil tornou-se o principal destino de defensivos agrícolas banidos no exterior. Segundo dados da Anvisa, são usados em nossas lavouras pelo menos dez produtos proscritos na União Europeia, Estados Unidos, China.


É evidente que segurança e soberania alimentar dependem de um sistema de produção alimentar bom, limpo e justo, sustentável e descentralizado, de base agroecológica de produção, extração e processamento, de processos permanentes de educação alimentar e nutricional. É estratégico adotar a soberania e segurança alimentar como um dos eixos ordenadores da estratégia de desenvolvimento do país para superar desigualdades socioeconômicas, regionais, étnico-raciais, de gênero e de geração e erradicar a pobreza extrema e a insegurança alimentar e nutricional.

Fico contente com a posse de Maria Emília Pacheco por sua força de vontade política e clareza de que é preciso fortalecer a capacidade reguladora do Estado, tanto na regulação da expansão das monoculturas, como no banimento imediato dos agrotóxicos que já foram proibidos em outros países, incluindo os que foram utilizados em guerras, como o glifosato. E dar um o fim aos subsídios fiscais, rotular, obrigatoriamente, todos os alimentos transgênicos, assegurando o consumidor o direito à informação. Investir na agricultura familiar e camponesa é eixo fundamental que deve estar na prioridade do governo. Ela gera emprego e renda para milhões de pessoas, estimula a produção de alimentos e a diversidade de culturas, respeita tradições alimentares e preserva a natureza, fixa o homem no campo e fortalece as economias locais e regionais.

Desejo que a proposta da Política Nacional de Agroecologia e Sistemas Orgânicos de Produção, em processo de elaboração por um grupo interministerial, seja amplamente aprovada a aplicada para garantir a proteção da agrobiodiversidade e de iniciativas como a conservação de sementes crioulas, os sistemas locais públicos de abastecimento, circuitos curtos de mercado e mercado institucional. É vencendo esses passos que um país deveria orgulhar-se de ser líder mundial na produção de alimentos.


Brasil: líder mundial em alimentos envenenados | Tatiana Achcar - Yahoo! Notícias 20/04/12


terça-feira, 3 de abril de 2012

EUA mantêm BPA em embalagens de alimentos

EUA mantêm BPA em embalagens de alimentos

Publicado em 31.03.2012, às 00h39


A agência americana para a segurança dos alimentos (FDA) manteve nessa sexta-feira (30/03/2012) a autorização para a presença do composto químico bisfenol A nas conservas e sucos, alegando que não há provas científicas sobre sua toxicidade para seres humanos.

O bisfenol A (BPA), composto químico amplamente utilizado em latas de conserva, embalagens de sucos e garrafas plásticas, é apontado como um "perturbador endócrino" que promove alguns tipos de câncer, como mama e próstata.

A organização americana Natural Resources Defense Council (NRDC) apresentou em 2008 à FDA um pedido para proibir o uso do BPA, citando estudos sobre sua possível responsabilidade em anomalias cromossômicas, aborto involuntário, diabetes, problemas cardíacos e disfunção eréctil.

"A FDA rejeitou o pedido da NRDC por falta de dados científicos necessários para mudar a norma vigente", destacou o órgão federal.

"Apesar de certas questões sobre uma possível ligação do BPA com vários efeitos sobre a saúde, permanecem sérias dúvidas sobre estes estudos, especialmente em relação ao impacto do BPA nos seres humanos", disse a porta-voz do FDA Doug Karas.

Karas acrescentou que pesquisas realizadas pela FDA mostraram que a exposição dos bebês ao BPA era 84-92% mais baixa do que se acreditava.

O Canadá foi o primeiro país, em 2009, a proibir embalagens de plástico fabricadas com BPA rígido, uma medida seguida por outros países, como França e Dinamarca.


Na França, o BPA será proibido em todas as embalagens de alimentos a partir de 2014.

Fonte: AFP

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Como manter o bisfenol A longe de seu filho

Em setembro [2011], a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a comercialização de mamadeiras com a presença de bisfenol A  (BPA), decisão que valerá a partir de 1º de janeiro de 2012. Por trás da proibição está um movimento internacional de alerta aos danos que essa substância pode causar. Os prejuízos, registrados por diversos estudos científicos ao redor do mundo, vão desde alterações no sistema endócrino e reprodutor até alguns tipos de câncer. Países como Canadá, China e os da União Europeia, além de vários estados dos EUA, também já tomaram medidas para restringir o uso da substância.

14/10/2011 - revista Veja - íntegra da matéria AQUI



segunda-feira, 2 de abril de 2012

Educação financeira começa em casa

Educação financeira começa em casa

Jornal do Brasil - 01/04/2012

Mauro Calil*

Costumo dizer que o planejamento é apenas uma das muitas facetas da educação financeira e que, sem dúvida, deve começar em casa, com os pais ensinando aos filhos. A criança deve ser educada para que saiba lidar com o dinheiro que tiver ao seu alcance desde sempre, sem falar a importante lição de que dinheiro não nasce espontaneamente na carteira de ninguém.

Saber lidar com o dinheiro é uma habilidade essencial que usamos em todos os momentos da vida, pessoal e profissional. Por isso, trata-se de um tema que deve ser ensinado para as crianças, principalmente para saberem que, na vida adulta, estarão inseridos em um mundo regido pelo dinheiro.

Infelizmente, as escolas não ensinam a forma correta de como lidar com dinheiro, tão pouco os pais – salvo algumas exceções. Da mesma forma, são poucos os cursos superiores que o fazem. Apenas os cursos de Administração de Empresas, Contabilidade e Economia ensinam sobre o funcionamento e a importância das finanças. Tenho certeza de que todo mundo conhece alguém incrivelmente bem sucedido e inteligente que tem dificuldade de lidar com dinheiro exatamente por não ter aprendido em casa, na escola ou mesmo na graduação.

Essa falta de informações sobre como lidar com o dinheiro é evidenciada a cada dia, principalmente se observarmos o crescente número de jovens endividados. Assim, desenvolver a habilidade necessária para lidar com o dinheiro em casa pode ser a única oportunidade que seu filho vai ter de aprender sobre o assunto por um bom tempo. Mas como ensinar uma criança se os próprios pais não conhecem sobre o assunto?

A resposta para esta pergunta é a informação. E o que não falta no mercado são livros, cursos, reportagens, entre outros, sobre como cuidar do dinheiro. E não é nada difícil. Um conselho básico para quem quer evitar os problemas com as finanças é usar um caderno ou uma planilha eletrônica para anotar as receitas e cada gasto, por menor que seja.

Para ensinar as crianças, talvez o melhor seja começar com uma brincadeira com moedas. Mostre que, quanto mais moedas, mais o cofrinho fica pesado. No caso de crianças em fase de alfabetização, ensine-as a reconhecer as notas pelos números e letras. E quando já tiverem aprendido as operações matemáticas básicas, pode-se introduzir a mesada. Já os jovens devem ser incentivados a anotar os gastos, com lanches e condução, por exemplo, em um caderno ou agenda.

É importante lembrar que, no caso da mesada, deve-se ensinar os jovens que aquele dinheiro deve satisfazer suas necessidades e vontades, como o lanche da escola ou a compra de algum item de desejo, e que estes recursos são para o mês inteiro. Os pais não podem dar uma mesada e, se o dinheiro acabar antes do final do mês, dar mais. Nesse caso, os pais têm mais uma oportunidade de dar ensinamento, inclusive utilizando da criatividade. O dinheiro acabou e não dá para comprar lanche na escola? Leve o lanche de casa.

Vale também aconselhar a criança a guardar um pouco da mesada para comprar aquele brinquedo que ele tanto quer. Assim, os pais estarão ensinando que a responsabilidade de conseguir ou não o que se quer é toda dele.

Dar bons exemplos aos filhos também faz parte da educação financeira. Lembre-se que ele se espelha em você. São pequenos detalhes como estes que podem fazer toda a diferença.

*Mauro Calil é educador financeiro e autor do livro “A receita do bolo” – www.calilecalil.com.br


sábado, 18 de fevereiro de 2012

O Inferno de Disney

O Inferno de Disney

Fernanda Torres*

A Disney é um conceito apavorante de infância organizado em um sistema angustiante de filas

Por doze anos recusei levar meu filho à Disney. Uma convicção estética inarredável orientava a minha negação. Nessas férias, porém, uma viagem ao México com escala em Miami amoleceu meu coração de mãe.

No dia 24 de janeiro do fatídico ano de 2012, abandonei os maias e a esplendorosa península do Yucatán para entrar em um avião rumo à Orlando. A temporada de cinco dias na Flórida foi comparável aos círculos de sofrimento de "A Divina Comédia", de Dante.

Como Deus ora pelos inocentes, meu rebento menor, de três, caiu com 39 graus de febre no aeroporto de Cancún. A milagrosa virose o deixou de molho nas primeiras 72 horas de aflição na América, enquanto eu e o maior adentrávamos as profundezas da terra onde os sonhos se tornam realidade.

O Limbo, primeiro círculo de penitência, se apresentou na forma de montanhas-russas colossais que comprimem os sentidos a forças G inimagináveis. Deixei meus neurônios serem prensados contra a parede do crânio em loopings cadenciados, até ser cuspida tal e qual um zumbi agastado, tomado por abobamento crônico.

As máquinas medievais de martírio causam náusea, vômito e enxaqueca.

Para os que preferem sofrer ao rés do chão, simuladores provocam a mesma sensação de abismo sem saírem do lugar em que estão.

Na sétima hora do dia, enquanto era sugada, no lugar da chupeta, por uma Maggie Simpson descomunal, eu já não falava e nem me mexia. Caí dura no resort de golfe, "wonder land" da terceira idade muito frequente na região.

A Flórida é o último refúgio dos que viveram até a aposentadoria.

Abri o olho e reneguei assistir a tormenta das baleias cativas nos tanques do Sea World. Atrás de motivos para ser castigada, fui arrastada às compras por um furacão chamado luxúria.

Usufruímos o céu nublado da Universal da tarde seguinte. O ar de quermesse do parque vazio, o clima ameno e o Harry Potter nos fizeram crer na alegria infantil dos americanos. Driblamos bem a comida intragável, servida em porções individuais que alimentariam tribos inteiras. O jejum é dádiva quando se encara as aves inchadas a hormônio e o teor transgênico das lanchonetes. Orlando é a cidade campeã da obesidade mórbida; o Lago de Lama dos que sucumbiram à gula.

A última alvorada foi dedicada à Disney. O sol brilhou no sábado de inverno, atraindo a multidão bíblica que lotou os milhões de metros quadrados de hotéis, zoológicos e parques temáticos; interligados por rodovias, hidrovias e ferrovias futuristas.

A Disney é um conceito apavorante de infância organizado em um sistema angustiante de filas. É o ante-inferno dos indecisos que aguardam em caracóis indianos uma satisfação que nunca chega.
 

Você anseia para ter o direito de aguardar em pé, agarrada à democrática senha que só amplia a espera. A jornada se esvai em uma azucrinante administração de tickets. A condenação à eterna expectativa seria até suportável, não fosse o suplício sonoro.

Como vespas a picar os tímpanos, a voz aguda das musiquinhas enjoadas, os "cling", "cleng", "glom" das engenhocas de ferro e a proliferação de musicais da Broadway, encabeçados pelo grande show do castelo da Cinderela, são de perder a razão. E mesmo durante o safari, única esperança de silêncio ecológico, o timbre de buzina da guia aspirante à atriz vinha pinçar os nervos.

A comparação entre a delicadeza do Caribe mexicano e a artificialidade embalada em plástico de Orlando foi um choque e tanto.

Antes de partir, visitei o paraíso. Um pântano na zona rural povoado por crocodilos, peixes e pássaros semelhante ao gigantesco charco que Walt Disney adquiriu há décadas atrás.


Em paz, no meio da lagoa virgem, me perguntei o porquê da zona urbana daquele lugar manifestar um prazer masoquista tão arraigado.

Talvez seja culpa pelo excesso de ofertas nos supermercados, pela invenção do papel higiênico felpudo, do "super size" tudo, dos veículos alcoólatras e das cidades sem pedestres. A insustentável fartura social se penitencia tomando sustos em trem fantasmas mirabolantes.

Não é diversão, é dívida cristã. A Disney nasceu na Idade Média.


Fernanda Torres

Extraído de Conteúdo Livre
17/02/2012, Fernanda Torres, Folha de São Paulo

Quase música

Quase música

Nelson Motta
- O Estado de S.Paulo / 17 de fevereiro de 2012 | 3h 04

Steve Jobs criou o iPod e revolucionou nossos hábitos de ouvir música, mas em casa só ouvia discos de vinil, contou seu amigo Neil Young, lenda viva do rock. Eles não se contentavam só com música e letra, canto e instrumentos - queriam que tudo isso soasse nos ouvidos com a potência, os timbres e a integridade da sua massa sonora original.

Como Tim Maia, queriam mais grave! Mais agudo! Mais eco! Mais retorno! Mais tudo! Porque nos fabulosos iPods, iPhones e iPads de Jobs o som que se ouve está comprimido em MP3 com apenas cerca de 10% dos sons que foram gravados. Para ouvi-lo mais próximo da gravação original, só em formatos como o wav, que contém muito mais dados, em arquivos muito mais pesados. Ou em vinil.

Mais do que uma discussão idiótica de audiófilos, de loucos por som, é um debate sobre pirataria, troca de arquivos, livre circulação de músicas na internet. Como a grande maioria dos consumidores de música se contenta em ouvir uma versão "popular" em MP3, isto também sugere novas ideias sobre o assunto. Neil Young (des)considera esses MP3 vagabundos que rolam na rede e nas bancas piratas como um novo rádio da era digital, uma difusão incontrolável, quase música; quem gosta de música de verdade compra um CD de boa qualidade sonora ou paga um download pesado de alta definição. Ou um vinil.

Mas como nada se compara ao impacto e sensação de ver e ouvir música ao vivo, de perto, em ambientes com boa acústica, a consequência direta da difusão maciça de (quase) música digital é uma espetacular valorização dos shows ao vivo, por ser uma experiência sensorial única e irrepetível, como o teatro.

No tempo do cassete, copiar músicas para um amigo era visto pelas gravadoras como divulgação de seus discos, por que agora fazê-lo por e-mail, ou num site de trocas, seria um crime? A irracionalidade e a ganância são atropeladas pela realidade tecnológica, o caminho sem volta faz uma curva ascendente. Nos Estados Unidos, pela primeira vez o volume de downloads pagos superou as perdas com a comercialização de CDs, o futuro finalmente chegou para a nova indústria da música gravada.

Extraído de Estadão

Para mais: Dicionariompb
Site do Nelson Motta - Sintonia Fina

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Rio: Instituto Estadual de Dermatologia Sanitária (IEDS)

Rio ganha mais 15 leitos de internação e nova infraestrutura de Fisioterapia

07/12/2011 - Jornal do Brasil

O Instituto Estadual de Dermatologia Sanitária (IEDS) inaugura nesta quinta-feira, dia 8 de dezembro 2011, as novas instalações dos serviços de Fisioterapia e Radiologia da unidade, além de 15 novos leitos de internação, totalizando 40 leitos, que funcionarão como retaguarda para os hospitais estaduais de emergência. Com capacidade para realizar 5 mil atendimentos por mês, a Fisioterapia passa a contar com ambiente climatizado e melhor infraestrutura.

Já a Radiologia vai ganhar aparelhos de raios-x fixo e móvel e a previsão é voltar a atender cerca de 350 pacientes por mês. Em princípio, o serviço de Radiologia será voltado para pacientes do IEDS e das unidades da Secretaria de Estado de Saúde.

Especializado no tratamento de pacientes com hanseníase, o instituto oferece atendimento ortopédico e neurológico para esses pacientes que costumam apresentar comprometimentos graves em consequência da doença. A unidade conta ainda com serviços de terapia ocupacional, fisioterapia motora e fonoaudiologia. Mensalmente, o IEDS atende cerca de 350 pacientes da colônia onde o instituto está localizado, além de demanda espontânea encaminhada por outros hospitais da rede pública de saúde.

IEDS


A colônia de Curupaiti foi inaugurada em 1928, quando recebeu 53 pacientes transferidos do Hospital dos Lázaros. A entidade surgiu porque os pacientes, que ficavam segregados no hospital para tratamento de hanseníase, precisavam conviver com a ida e vinda dos parentes ao local, que acabou acomodando os familiares dentro da própria unidade hospitalar e ao redor dela, através da construção de novas casas. Durante muitas décadas, recebeu doentes de todo o Brasil e tornou-se o primeiro hospital a tratar os pacientes com a multidroga, tratamento recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Em novembro de 2008, a colônia passou a chamar-se Instituto Estadual de Dermatologia Sanitária (IEDS). Em 2010, mais de 200 famílias da comunidade do instituto receberam título de posse de suas moradias. A iniciativa, inédita no país, foi um esforço do Estado para garantir um endereço para essas famílias.

O instituto fica na Rua Godofredo Viana, nº64, Tanque.



segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Histórias do Mato


Lançamento Virtual do Livro Histórias do Mato

O livro "Histórias do Mato: memórias de moradores de um bairro rural" já está disponível para download gratuito no blog do projeto.

Release projeto Histórias do Mato


O projeto “Histórias do Mato” foi concebido considerando o contexto histórico-social da Região Bragantina, que é de significativas transformações, visando valorizar a identidade caipira a partir das memórias orais e imagéticas dos moradores de áreas rurais de Bragança Paulista/SP, bem como compartilhar suas lembranças sobre os acontecimentos, épocas e momentos que marcaram a história de suas vidas, do bairro e que contribuíram para a formação da sociedade paulista e brasileira.

Este projeto foi realizado com o apoio do Governo do Estado de São Paulo, Secretaria de Estado da Cultura - Programa de Ação Cultural – 2009, e recolheu belas histórias e imagens através da memória de moradores do bairro Boa Vista que revelaram um intenso e fascinante movimento da cultura caipira e resultou na produção do livro Histórias do Mato: memórias de moradores de um bairro rural, de autoria de Jussara Christina Reis, em dois formatos: digital e impresso. A distribuição dos exemplares beneficiará instituições educacionais e culturais de Bragança Paulista e demais municípios da Região Bragantina, já a versão digital estará disponibilizada para download gratuito no blog do projeto.

Outro produto oferecido à população, de forma gratuita, foram as oficinas culturais Memória e Bairro Rural que ocorreram nos dias 06 e 13 de dezembro de 2010 em Bragança Paulista-SP.

Sinopse História do Mato: memórias de moradores de um bairro rural

Histórias do Mato é uma (re)descoberta da poética das narrativas orais e dos álbuns de família, em que as memórias de moradores nascidos e criados num bairro, um lugar, se entrelaçam com a história local e regional.
Autoria: Jussara Christina Reis
Colaboração: Fábio Bueno de Lima
Ilustrações: Elinaldo Meira

Blog do Projeto - AQUI

Download do livro: a partir do dia 15/12/2010

Jussara e Fábio
Jatobá Produções Culturais

Recebido de Conceição Reis, a quem agradecemos.
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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Campanha Autoestima Racial - RS

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Campanha Autoestima Racial
Rede Afrogaucha de Profissionais do Direito e TV Record

Campanha Autoestima Racial
Rede Afrogaucha de Profissionais do Direito e TV Record

Campanha Autoestima Racial
Rede Afrogaucha de Profissionais do Direito e TV Record

Campanha Autoestima Racial
Rede Afrogaucha de Profissionais do Direito e TV Record

Campanha Autoestima Racial
Rede Afrogaucha de Profissionais do Direito e TV Record

Campanha Autoestima Racial
Rede Afrogaucha de Profissionais do Direito e TV Record

Campanha Autoestima Racial
Rede Afrogaucha de Profissionais do Direito e TV Record

sábado, 2 de outubro de 2010

Quilombolas SP - Plataforma Política 2010

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Plataforma Política dos Quilombolas do Estado de São Paulo – Eleições 2010

A defesa dos direitos dos quilombolas deve ser uma prioridade do novo governo estadual e dos parlamentares eleitos por São Paulo

As comunidades de quilombos têm a satisfação de apresentar a Plataforma Política dos Quilombolas do Estado de São Paulo aos candidatos ao governo estadual. Esta plataforma é produto do Ato em Defesa dos Quilombos no Estado de São Paulo realizado no dia 12 de setembro de 2010, em São Bernardo do Campo/SP, sob a organização da Coordenação Estadual de Quilombos e da Comissão de Justiça e Paz de São Paulo, e com os apoios da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM-CUT), Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (CONTRAF-CUT) e do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (SMABC).

O marco das políticas de quilombos no Brasil é a Constituição Federal de 1988, a qual estabelece claramente que aos “remanescentes das comunidades de quilombos que estejam ocupando as suas terras é reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os respectivos títulos”. (Art. 68)

A partir deste marco, ocorreram inegáveis avanços no plano legal, tanto a nível nacional como local. O grande destaque cabe ao Decreto 4.887/03, seguido da formulação do Programa Brasil Quilombola e da criação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), bem como do reforço das instituições que cuidam da questão quilombola. Vereadores, Deputados Estaduais e Federais e Senadores vêm também se destacando nas lutas em favor das comunidades quilombolas.

No entanto, as comunidades quilombolas estão ainda muito longe de receber a prioridade devida nos embates políticos, na aplicação dos programas acordados, na regularização de suas terras, na valorização do seu papel na conservação do meio ambiente, na melhoria de suas condições de vida e na preservação de sua cultura.

Como conseqüência, as políticas públicas de fomento avançam muito lentamente, não abarcam todas as comunidades e apresentam um nível de realização muito baixo. O nível de articulação entre o Instituto de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e o Instituto de Terras de São Paulo (ITESP) é insuficiente, os processos emperram e, em meio a pretextos e acusações recíprocas, é o Estado quem deixa de assumir a sua responsabilidade.

Dentro da ordem federativa, são poucas as Prefeituras e os Governos Estaduais que reconhecem os direitos das comunidades quilombolas, a maioria se posicionando na prática em favor de interesses econômicos e políticos locais, enquanto que o Ministério Público parece mais preocupado com as questões ambientais que com as comunidades tradicionais que habitam há muito tempo em terras que mais tarde se tornaram áreas de conservação ambiental, particularmente no Estado de São Paulo.

Contudo, nós quilombolas acreditamos que os problemas atuais poderão ser superados com uma ação mais decisiva do novo Governo do Estado de São Paulo e dos parlamentares eleitos pelo povo de São Paulo, em parceria com os governos municipais e, sobretudo, com o Governo Federal.

Esperamos também desenvolver uma relação mais intensa e continuada da Coordenação Estadual de Comunidades de Quilombo, em diálogo e processos de formulação conjunta com a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ). Estas são as legítimas representantes da organização dos quilombolas, perante o grande arco de entidades e instituições parceiras com as quais se relacionam os quilombolas do Estado de São Paulo.


Neste contexto, submetemos à consideração dos candidatos as propostas a seguir enunciadas.

1. Elaborar, com a participação das comunidades, uma política pública para as comunidades quilombolas, bem como um programa governamental multisetorial específico, dotado de recursos financeiros e humanos adequados. Para assegurar a sustentabilidade da ação governamental, esta deverá estar amparada em lei e dispor de uma estrutura institucional dotada de recursos humanos e financeiros para a sua consecução.

2. Tomar posição contra as iniciativas que representem um retrocesso na materialização dos direitos dos quilombolas, em particular contra a Ação Direta de Inconstitucionalidades nº 3239, proposta pelo PFL, atualmente DEM, relativa ao Decreto 4.887/03 e, ao mesmo tempo, favorecer a construção de um marco legal que confira segurança jurídica às conquistas quilombolas.

3. Apoiar a adoção de metas compartilhadas para a titulação das terras quilombolas, com a definição clara de responsabilidades ao nível dos entes federados e seus órgãos competentes na área, como o ITESP e o INCRA.

4. Dotar o ITESP de melhores condições técnicas e financeiras e de diretrizes claras no sentido do cumprimento pleno dos processos da regularização fundiária das comunidades quilombolas, assegurando a desintrusão das terras após sua titulação, com vista à obtenção do registro definitivo.

5. Assegurar a participação das comunidades quilombolas nas instâncias de governo e órgãos encarregados da execução das políticas quilombolas, especialmente no planejamento e acompanhamento das atividades que lhes digam respeito.

6. Priorizar os quilombolas nos programas de alfabetização e no acesso à educação fundamental, estabelecendo metas nos programas de governo.

7. Promover a inclusão dos quilombolas nos programas sociais do governo e no usufruto de seus benefícios.

8. Priorizar os quilombolas nas campanhas de vacinação massiva e no atendimento pelo Programa de Saúde da Família e outros programas e serviços governamentais de saúde.

9. Contribuir para a implantação de um modelo operacional de conservação ambiental, integrando unidades de uso sustentável em terras quilombolas e a prestação de serviços ambientais por suas comunidades.

10. Defender o enquadramento das comunidades quilombolas na legislação internacional que protege os povos indígenas, em particular a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho.

11. Apoiar a constituição e o reforço de Comissões e Frentes Parlamentares atuantes na luta pelos direitos dos quilombolas.

Coordenação Estadual das Comunidades de Quilombo
12/9/2010

Recebido de Matilde Ribeiro

A Conen e as eleições de 2010

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A Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen) e as eleições de 2010

As desigualdades sociorraciais no Brasil

No Brasil republicano do século 21 existe igualdade apenas no papel da Lei. Não há efetivamente igualdade de condição e de oportunidades. A República brasileira não emancipou socialmente milhões de homens e mulheres negros saídos do escravagismo. Do ponto de vista constitucional, não temos discriminação. Pela Constituição Federal “todos são iguais perante a lei, independente de sexo, raça, credo, orientação sexual, origem social”.

No entanto, a desigualdade entre negros e brancos se mantém: 64% dos pobres e 70% dos indigentes brasileiros são negros. A discriminação racial e o preconceito ampliam as desigualdades sociais porque são reforçados pelo racismo, pelo machismo e a homofobia.

No caso das mulheres negras, a discriminação de gênero, raça e classe social revela que as mulheres negras são submetidas a trabalhos domésticos precários, baixa remuneração, violência e abuso sexual, e o abandono que as obriga a assumirem o sustento de suas famílias.

A juventude negra é vítima de um conjunto de desigualdades que combina um sistema educacional de baixa qualidade, desemprego, falta de perspectivas de uma vida digna, tráfico de drogas e armas, inexistência de lazer, cultura e esporte, confinamento nos morros, favelas e periferias, tornando esses jovens os principais alvos da violência urbana.

Essa situação injusta e cruel é produto da história do capitalismo combinado com a escravidão que durou quatro séculos no Brasil, deixou marcas profundas em nosso convívio social, mas é também resultado da ausência de políticas públicas voltadas para superá-la.

Nos últimos trinta anos, as conquistas da população negra, para resistir a essa realidade perversa, quer seja no campo jurídico-legislativo, seja na área social e as de caráter simbólico, ajudaram o Brasil a compreender que o racismo existe e que a promoção da igualdade é fundamental para seguir mudando a vida de metade da população brasileira. (Ver IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) 2009 - 6,9% (13,3 milhões) de pessoas se declararam pretas e 44,2% (84,7 milhões) se declararam pardas).

A luta do Movimento Negro tem garantido mudanças na vida da população negra. É através desta luta que os governos, de caráter democrático e popular, dos municípios, dos estados e no governo federal, têm respondido as nossas reivindicações históricas e diante do grave quadro de desigualdades socioeconômicas, em razão das diferenças raciais, implementam políticas para a superação do racismo e para a erradicação da pobreza em nosso país.

Nos últimos anos, o crescimento do emprego formal, o aumento real do salário mínimo e as políticas de transferência de renda, por meio de programas como a Bolsa Família, que beneficiam de forma direta a população negra e pobre, ajudaram a reduzir a desigualdade. Entretanto, mesmo valorizando nossos avanços e conquistas, a Conen compreende que o Brasil continua sendo um país injusto, onde as desigualdades sociorraciais continuam imensas.

É inaceitável o distanciamento dos grupos raciais que vivenciam discriminações históricas. Os indicadores sociais revelam que é no acesso a bens e serviços públicos que reside uma das principais causas das desigualdades no país.

É a partir desta leitura sobre o Brasil e da condição de vida de seus cidadãos e cidadãs, que a Conen vem a público apresentar o seu posicionamento em relação a qual é o programa de governo e a plataforma eleitoral nas eleições de 2010 para a Presidência da República, senadores, deputados federais, governos e deputados estaduais, capazes de fortalecer ações sociais e institucionais para a população negra.

O protagonismo da Conen no combate ao racismo e na promoção da igualdade racial

Na década de 1990 ocorreu o desenvolvimento do protagonismo das organizações negras na luta contra o racismo, na denúncia das práticas discriminatórias e todas as formas de preconceitos. Cada uma das organizações do Movimento Negro brasileiro que combate o racismo influencia e potencializa indivíduos e instituições a rever as desigualdades das relações raciais brasileiras no plano individual, institucional, cultural e político.

Com esta estratégia avoluma-se o diagnóstico que evidencia a desigualdade e a violência contra negros e negras na educação, saúde, mercado de trabalho, segurança pública, lazer, relações de gênero, práticas religiosas, genocídio da juventude e a questão fundiária enfrentada por quilombolas e comunidades negras rurais.

O início da década de 1990 marca o fortalecimento da articulação dessas organizações que buscam a unidade de ação. Nasce a Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen), durante o I Encontro Nacional de Entidades Negras (Enen) realizado em São Paulo, em novembro de 1991. A Conen representou a articulação das novas forças atuantes de um setor do Movimento Negro brasileiro e orientou a luta política contra o racismo de forma mais precisa e planejada.

Neste sentido, os períodos eleitorais passaram a ser uma preocupação constante para a Conen. Mantendo a autonomia e o caráter suprapartidário da participação política das organizações negras, a Conen tem se posicionado nesses momentos por entender que neles estão em disputa programas de governo e projetos políticos que têm relação com a luta do Movimento Negro por um Brasil sem racismo, machismo, preconceito e discriminação de qualquer natureza.

Em 2002, a Conen explicitou seu apoio ao candidato Luiz Inácio Lula da Silva, entre os vários candidatos que naquele momento se apresentavam como oposição ao candidato José Serra, apoiado pelo então presidente da República Fernando Henrique Cardoso.

Após a vitória eleitoral do Presidente Lula, a Conen foi o principal elo de interlocução entre as reivindicações do Movimento Negro e o governo eleito. Uma das primeiras medidas do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi sancionar a Lei 10.639 que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas de ensino fundamental e médio de todo o país.

Em 21 de março de 2003 foi criada a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), um anseio histórico do Movimento Negro brasileiro, visando à construção de uma efetiva política de governo para o combate ao racismo e promoção da igualdade racial.

A Conen apoiou a criação dessa secretaria e contribuiu desde o período de transição para que ela fosse concretizada. Apoiou, também, a indicação de Matilde Ribeiro para a sua direção e lideranças da Conen, com suas qualidades técnicas e políticas, fizeram parte do governo, contribuindo para que a Seppir pudesse se estruturar para concretizar seus objetivos.

A representação da população negra nos espaços de decisão do governo federal é ampliada com a presença da ministra Benedita da Silva no Ministério da Assistência Social; da ministra Marina Silva no Ministério do Meio Ambiente; do ministro Gilberto Gil no Ministério da Cultura; do ministro Orlando Silva Jr. no Ministério do Esporte; com a indicação do Dr. Joaquim Barbosa para o Supremo Tribunal Federal (STF).

A escolha das lideranças femininas foi o reconhecimento do protagonismo da mulher negra nas lutas sociais: Matilde Ribeiro dedicada às questões do racismo e sexismo, Marina Silva com a questão ambiental e Benedita da Silva dedicada ao movimento social urbano representam a luta pelo empoderamento da mulher negra.

Na disputa eleitoral seguinte a Conen não hesita em novamente expressar seu apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva para a Presidência da República.

O apoio significou impedirmos o retorno das elites conservadoras à Presidência da República, através do candidato que as representou naquela eleição, Geraldo Alckmin, apoiado pela Coligação Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e Partido da Frente Liberal (PFL).

A Conen optou pela continuidade da luta por mudanças estruturais na vida da população negra, avaliando as ações do primeiro governo do Presidente Lula, reconhecendo que as mesmas contribuíram para avançar nas políticas públicas de enfrentamento do grave quadro de desigualdades sociorraciais no Brasil.

As eleições 2010 e as novidades do ponto de vista de gênero e raça

Há séculos que a população não branca nas Américas enfrenta o racismo, o colonialismo e a política patriarcal. Junto com o Brasil, que tem a maior população negra fora da África, a América Latina possui uma população negra próxima de 150 milhões de pessoas e de cerca de 40 milhões de indígenas.

No século 21, a América tem inovado na democracia política exatamente porque elegeu dirigentes fora do status quo da elite que sempre apresentou candidatos burgueses, do sexo masculino e brancos. O Brasil elegeu democraticamente um metalúrgico, a Bolívia um índio, a Argentina e o Chile duas mulheres, e a Venezuela e o Equador elegeram dirigentes oriundos dos setores populares e dos trabalhadores, para o mais expressivo cargo de direção de seus respectivos países, a Presidência da República.

É importante uma avaliação do processo em curso, pois, historicamente, os eleitos estão à frente de governos reconhecidamente progressistas, o que tem influído nas transformações em curso na América Latina. É importante lembrar que os Estados Unidos elegeram um negro para Presidente, naquele país marcado pela segregação racial e confronto entre negros e brancos.

O impacto no cenário eleitoral é o aumento da expressão da luta de afirmação da identidade de gênero e raça na vida das populações desses países. Para além da importância do simbolismo que esses fatos indicam para o mundo, a chegada ao governo de representação oriunda das classes populares e dos movimentos sociais é uma novidade eleitoral, que impõe o direito à diferença na vida política.

No Brasil, essa questão tem implicações significativas no processo eleitoral de 2010, na medida em que a nossa realidade social contém condicionantes históricos e estruturais como a pobreza, o racismo, o machismo. Pois, permanece ainda o desafio de ampliar o acesso dos setores que eles representam (trabalhadores, mulheres, negros, indígenas e todos os discriminados) de modo que as políticas públicas contribuam, também, para democratizar as relações econômicas e sociais.

A compreensão de tal realidade tem pressionado por mudança no pensamento dos setores democráticos, progressistas e de esquerda cuja concepção baseada apenas nas contradições econômicas passa a incorporar, mesmo que tardiamente, as lutas pelo direito à diferença e pela afirmação das identidades de gênero e raça.

No Brasil, a pressão dos ativistas do combate ao racismo e feministas no interior dos partidos políticos busca ampliar a representação de negros e mulheres. Avança a compreensão de que a opressão de classe não é suficiente para combater as contradições advindas das relações desiguais de raça e gênero.

O reflexo dessa mudança pode ser visto nas eleições de 2010, que apresentam ao eleitorado brasileiro a candidatura de duas mulheres, Dilma Rousseff, candidata pelo Partido dos Trabalhadores (PT); Marina Silva, uma mulher negra, da Amazônia, do estado do Acre, candidata a Presidência da República pelo Partido Verde (PV); Hamilton Assis, um negro do estado da Bahia, membro da Coordenação Nacional do Círculo Palmarino, entidade do Movimento Negro, candidato a vice-presidente pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

Os projetos em disputa

Tanto em 2002 quanto em 2006 eram dois os principais candidatos. De um lado, José Serra e Geraldo Alckmin, ambos apoiados pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que em seus oito anos de governo deu continuidade à aplicação do projeto neoliberal em nosso país e aprofundou as marcas sociais do racismo brasileiro.

De outro, Luiz Inácio Lula da Silva, que aglutina as forças sociais que querem mudanças reais nesse país e que apresenta um programa “Brasil sem Racismo”, que considera a questão racial um dos grandes impasses nacionais a serem solucionados para a construção de um Brasil democrático, justo e igualitário.

Em 2010, duas candidaturas polarizam a disputa. A candidata Dilma Rousseff, apoiada pelo Presidente Lula e por praticamente o conjunto das organizações do movimento social brasileiro, que pretende dar continuidade às mudanças em curso no país nos oito anos de governo Lula, que reverteu a lógica neoliberal de governos anteriores, ao dinamizar a economia e ao mesmo tempo, distribuir renda, reduzir as desigualdades e gerar oportunidades.

Em oposição a tudo isso surge novamente José Serra, candidato do PSDB e do Partido dos Democratas (DEM), o partido que é um dos maiores adversários do Movimento Negro e dos interesses da população negra em nosso país, representando os interesses da burguesia industrial e financeira, das elites conservadoras do campo e da cidade.

A posição da Conen

Nas eleições de 2010, o que está em disputa é a possibilidade de continuarmos o que começamos com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, de conquistarmos a reforma agrária, proporcionar renda aos mais pobres por meio de políticas sociais, democratizar o acesso ao conhecimento e a informação, de diminuirmos as desigualdades raciais e as disparidades sociais e reduzir a imensa dívida histórica e social que a sociedade e o Estado têm para com a população negra no Brasil.

A Conen se coloca ao lado daqueles que nestas eleições apóiam Dilma Rousseff com o objetivo de continuarmos a promover a inclusão social e a redução das desigualdades, fortalecer a democracia, garantir modelo de desenvolvimento sustentável para o país com igualdade de gênero, raça e etnia.

Consolidar as mudanças dos últimos anos, ampliar as conquistas e impedir qualquer retrocesso na afirmação de direitos sociais, culturais, políticos e econômicos da população negra é o que pretende a Conen com esse posicionamento.

Para avançarmos em direção a conquistas não alcançadas durante os governos do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Conen, após a eleição de Dilma Rousseff como a primeira mulher presidente da República, já se coloca, como o fez nos governos anteriores, junto ao futuro governo, para iniciarmos um diálogo sobre as perspectivas de qual desenvolvimento queremos para o Brasil.

Para a Conen, se quisermos reduzir, de fato, os impactos negativos das desigualdades raciais existentes na sociedade brasileira, devemos pensar uma nova agenda de desenvolvimento econômico, político e institucional para o país que combata o racismo e promova a igualdade racial.

Para a Conen, o caminho para um Brasil sem racismo, com desenvolvimento e promoção da igualdade racial passa pela transformação da política pública em política de Estado. A implementação dessa política deve ser focada nas regiões metropolitanas; na redução da violência urbana e equacionamento da segurança pública; no acesso à educação; na geração de emprego; no acesso aos padrões dignos de habitabilidade; na geração de expectativas para a juventude negra; na melhoria da qualidade de vida das comunidades quilombolas e rurais, das mulheres e das crianças negras.

Brasil, setembro de 2010.

Recebido de Gevanilda Santos

sábado, 25 de setembro de 2010

Cartilha alerta sobre trabalho escravo

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Brasil é referência mundial no combate ao trabalho escravo
Ministério do Trabalho e do Emprego lança cartilha sobre trabalho escravo

Muitos de nós aprendemos na escola que o trabalho escravo foi encerrado com a proclamação da Lei Áurea. Mas infelizmente a realidade não é bem essa.

Hoje não temos mais aqueles troncos e correntes que prendiam os escravos. O que temos são relações de trabalho onde o empregador trata seus funcionários em condições semelhantes à escravidão.

Por exemplo, quando empregador submete o trabalhador a trabalhos forçados, ou a uma jornada exaustiva e mesmo a condições degradantes de trabalho, sem higiene ou proteção.

Outro caso é quando o empregador restringe a locomoção do trabalhador em razão de dívida para com empregador ou preposto. Ou seja, simplesmente mantém os trabalhadores presos na fazenda sob a alegação de que não podem sair enquanto não quitarem suas dívidas.

Esse tema é dos mais importantes, pois atinge não apenas cidadãos brasileiros nas regiões mais remotas do país. Ultimamente têm sido descobertos casos do chamado “trabalho degradante” em estados ricos das regiões Sudeste e Sul. E por isso, resolvemos colocar à disposição de todos os visitantes do nosso portal a cartilha sobre trabalho escravo recém-lançada pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

Na cartilha, além de informações sobre o trabalho escravo no mundo moderno, os cidadãos aprendem sobre o que é trabalho degradante, quais as ações de combate que governo, instituições do Estado e ONGs estão realizando, e o que é o Plano Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo.

Clique aqui para baixar e conhcer a cartilha “Trabalho Escravo”, do Ministério do Trabalho e do Emprego

10/9/2010

Extraído de A Voz do Cidadão




quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Estado deve fornecer suplemento à família carente

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Estado deve fornecer suplemento à família carente

15.09.2010 - 10h56

A saúde é direito assegurado a todos os cidadãos, indissociável do direito à vida, cuja proteção deve prevalecer em relação a qualquer outro interesse do Estado. Do contrário, os demais não possuiriam razão de ser. A observação foi realizada pela Sexta Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, que retificou, em parte, sentença de Primeiro Grau, em conformidade com o artigo 196 da Constituição Federal. Consta dos autos que um menor de família hipossuficiente necessitava de suplementação alimentar. A câmara julgadora considerou a indispensabilidade do fornecimento do produto, não obstante, determinou que a cada seis meses fosse apresentada recomendação médica pela manutenção do tratamento.

A Primeira Vara Especializada da Infância e Juventude da Capital, nos autos de uma ação civil pública, julgara procedente o pedido inicial para condenar o requerido a fornecer 20 latas mensais do suplemento alimentar “neocate” ao menor. O recorrente sustentou que, embora o Estado tenha o dever de prestar assistência à saúde, deve proceder de forma ordenada e organizada, respeitando as políticas traçadas, sob pena de os atendimentos indiscriminados colocarem em perigo a vida de demais dependentes do SUS, bem como de haver desequilíbrio econômico-financeiro. Afirmou que os municípios estão habilitados na gestão plena da saúde, sendo eles os responsáveis pelos usuários residentes dentro de sua circunscrição; que as despesas públicas só poderiam ser realizadas com planejamento; e que a disponibilização de recurso sem prévia autorização normativa afrontaria o artigo 167, II, da CF.

O relator, desembargador Rubens de Oliveira Santos Filho, ressaltou que a saúde é direito social assegurado a todos os cidadãos e corolário indissociável do direito à vida, competindo ao Estado, por meio de políticas sociais e econômicas, reduzir o risco de doenças e garantir acesso universal às ações e serviços de saúde, nos termos do artigo 196 da CF. Ressaltou a necessidade de resguardar a dignidade da pessoa humana e a proteção do direito à vida, que se desdobra na preservação da saúde, constituindo obrigação primordial do ente público.

O magistrado informou que o menor apresenta, desde o nascimento, refluxo gástrico, pneumonias, diarréia crônica, dores abdominais, má absorção intestinal, desnutrição e atraso do desenvolvimento neuropsicomotor. Assim, foi recomendado o uso de 20 latas mensais do suplemento alimentar, que possui nutrientes indispensáveis para complementar a alimentação e aumentar o peso do menor, conforme laudo médico. Ponderou ainda o relator que a família da criança não tem condições de pagar essa despesa sem prejuízo de seu sustento próprio. Contudo, fixou prazo para que os responsáveis pelo menor comprovassem a necessidade da continuidade da suplementação, sendo que a cada seis meses devem apresentar novo receituário médico.

Quanto à alegação de que caberia ao município o fornecimento do produto, assinalou o relator que todos os entes que compõem a organização federativa (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) respondem solidariamente pela promoção da saúde e a assistência pública, de forma que qualquer um deles pode ser acionado em demanda que vise a sua obtenção. Acompanharam o voto do relator os desembargadores Juracy Persiani, revisor, e Guiomar Teodoro Borges, vogal.

Fonte: TJMT

Extraído de: Lion & Advogados Associados




quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Lei proíbe empresas de exigir teste de HIV

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Lei proíbe empresas de exigir teste de HIV dos funcionários

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) baixou a portaria nº 1.246/2010, que proíbe que as empresas do Brasil exijam de seus funcionários o teste de HIV em exames médicos admissionais e demissionais, avaliações periódicas ou em decorrência de mudanças de cargo do trabalhador, de forma direta ou indireta.


O MINISTRO DO TRABALHO E EMPREGO, no uso das atribuições que lhe confere o inciso II do Parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal;

Considerando que a Convenção da Organização Internacional do Trabalho - OIT nº 111, promulgada pelo Decreto nº 62.150, de 19 de janeiro de 1968, proibe todo tipo de discriminação no emprego ou profissão;

Considerando que a Lei nº 9.029, de 13 de abril de 1995, proibe a adoção de qualquer prática discriminatória e limitativa para efeito de acesso à relação de emprego ou a sua manutenção;

Considerando o previsto na ação programática constante do item j do Objetivo Estratégico VI do Eixo Orientador III do Programa Nacional de Direitos Humanos, aprovado pelo Decreto nº 7.037, de 22 de dezembro de 2009;

Considerando que a Portaria Interministerial nº 869, de 12 de agosto de 1992, proibe, no âmbito do Serviço Público Federal, a exigência de teste para detecção do vírus de imunodeficiência adquirida - HIV, tanto nos exames pré-admissionais quanto nos exames periódicos de saúde; e

Considerando que a Resolução nº 1.665 do Conselho Federal de Medicina, de 7 de maio de 2003, veda a realização compulsória de sorologia para o - HIV, resolve:

Art.1º Orientar as empresas e os trabalhadores em relação à testagem relacionada ao vírus da imunodeficiência adquirida - HIV.

Art. 2º Não será permitida, de forma direta ou indireta, nos exames médicos por ocasião da admissão, mudança de função, avaliação periódica, retorno, demissão ou outros ligados à relação de emprego, a testagem do trabalhador quanto ao HIV.

Parágrafo único. O disposto no caput deste artigo não obsta que campanhas ou programas de prevenção da saúde estimulem os trabalhadores a conhecer seu estado sorológico quanto ao HIV por meio de orientações e exames comprovadamente voluntários, sem vínculo com a relação de trabalho e sempre resguardada a privacidade quanto ao conhecimento dos resultados.

Art. 3º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.

CARLOS ROBERTO LUPI

D.O.U., 31/05/2010 - Seção 1
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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Anemia Falciforme: diagnóstico tardio provocou morte

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Adiante, reportagem que noticia a morte de mais uma criança de 9 meses de vida com anemia falciforme.

O fato lembrou-me de uma vez que eu estava em um congresso, onde uma médica apresentou os resultados uma pesquisa sobre a morte de crianças com anemia falciforme. Ela acompanhou as mães e os seus relatos sobre como tudo se deu.

Após a sua explanação, solicitei a fala e lhe disse:

"Não vi onde anemia falciforme matou estas crianças. Vi negligência, incompetência, falta de estrutura, racismo."

As pessoas com anemia falciforme no Brasil ainda morrem, não pela doença em si. Morrem pelo descaso que o poder público tem com elas. A doença genética de maior incidência no Brasil com cerca de 3.500 casos todos os anos, ou seja 35 crianças nascendo todos os dias é tratada como uma coisa qualquer, mais uma doença.

E neste ano que estamos informando a todo Brasil que há um século atrás, em 1910, se deu o primeiro relato cientifico da doença fica para todos e todas esta reflexão de como o racismo continua e continuará a operar dentro dos sistemas onde o diagnóstico de um resultado de um caso com anemia falciforme passa-se por fax e se receberem, receberam. Se não receberam.... que importa? A quem importa se nossos filhos nascem com esta doença crônica? Pelo visto somente a nós mesmos pessoas com doença falciforme e seus familiares.

Por aquilo que o poder público apresenta nos seminários e congressos não se expressa nos atos e atitudes.

O descaso para as pessoas com anemia falciforme é marco e é marca no Brasil ainda hoje.

Nós não lamentaremos simplesmente as mortes das pessoas com anemia falciforme, nós confrontaremos os responsáveis pela saúde com os familiares destas pessoas pessoas para que eles digam porque não fizeram NADA! Eles terão que responder.

Altair Lira
Coordenador Geral
FENAFAL


Diagnóstico tardio

Mãe afirma que falha provocou morte da filha

Enviado por Matheus Vieira - 19.8.2010 - 7h30m

Cátia conta que não sabia que a filha tinha anemia falciforme

O resultado de um teste do pezinho que chegou tardiamente às mãos dos médicos encurtou a vida da pequena Sophia Sarah, de apenas 9 meses. A menina morreu de anemia falciforme no último dia 9 de agosto. A amostra foi coletada no posto de saúde de Jardim América em dezembro, e analisada pela Apae. A Apae afirma que mandou o resultado para o posto, por fax, ainda em janeiro, quando confirmou a doença. Mas a Secretaria Municipal de Saúde alega que o aparelho de fax do posto está quebrado desde dezembro.


teste de dezembro 2009 - resultado em agosto 2010

Quem sofre de anemia falciforme tem as hemácias — células vermelhas do sangue — deformadas. O tratamento inicial, a base de vacinas, antibióticos e transfusões de sangue, é feito na rede pública através do Hemorio. No entanto, quando o diagnóstico de Sophia chegou, através de uma segunda via, enviada pela Apae, no dia 3 de agosto, ela já estava hospitalizada, passando por uma crise. A menina foi internada em estado grave no dia 23 de julho no Hospital Municipal Souza Aguiar, onde veio a morrer.

O teste do pezinho foi feito no dia 17 de dezembro

O resultado foi entregue ao posto de saúde oito meses depois: no dia 3 de agosto

Segundo o Hemorio, o setor de assistência social da Apae chegou a agendar três consultas para a menina. Mas Cátia não teve conhecimento nem do diagnóstico nem desta recomendação da Apae. O posto deveria intermediar o contato com a família, mas sequer sabia do quadro de saúde de Sophia. A secretaria afirma que a Apae deveria ligar, depois de enviar o fax ao posto, para confirmar o recebimento do documento.

Demora classificada de "normal" no posto

A mãe da pequena Sophia ia todo mês no posto de saúde para verificar se o resultado do exame da filha havia chegado.

— Eles diziam que esta demora era normal — relembra Cátia.

Mãe de outros dois filhos, uma de 18 e outro de 11, ela conta que sempre esteve atenta às necessidades dos filhos.

— Não podia imaginar que minha filha tinha esta doença. Ela era saudável, até o dia em que teve febre e ficou com a pele toda amarelada. A partir daí, ela ficou toda inchada e já era tarde demais... — conta a chefe de limpeza.

Dos profissionais que atenderam a filha, ela ouviu o motivo que selou o destino de Sophia.

— A assistente da Apae me falou que o que houve foi uma falha de comunicação. E o custo disso tudo foi a vida da minha filha — desabafa a mãe da pequena Sophia.

Recebido de: ABADFAL - Ass. Baiana das Pessoas com Doenças Falciformes
Enviada em: quinta-feira, 19 de agosto de 2010 12:33
Assunto: Morte de mais uma criança com anemia falciforme. Até quando por negligência?

Imagem da alteração genética que ocorre no cromossomo 11


BA - comissão vai decidir destino de objetos do Candomblé guardados na polícia

Comissão vai definir destino de peças do candomblé
Mariana Paiva l A TARDE - 19/08/2010

Fernando Amorim/Agência A TARDE
Membros do governo observam as peças que eram exibidas como aberrações no DPT


Representantes do governo reunidos na sede do Departamento de Polícia Técnica (DPT), no Vale dos Barris, na quarta-feira, 18 de agosto, recomendaram a criação de uma comissão para decidir o destino dos objetos do candomblé guardados no local. Em matéria publicada em 18 de julho, A TARDE informou o retorno das peças, que estavam no Museu da Cidade, para o DPT. As peças foram tiradas do DPT por pressão de entidades ligadas ao candomblé, já que no Museu Estácio de Lima, do DPT, eram exibidas juntamente com cabeças humanas e outras aberrações.

No local, o grupo visitou o espaço destinado ao museu, que atualmente está em reforma, e abriga, além das peças, aparelhos de ar-condicionado, cadeiras e colchões empilhados. No acervo ligado à cultura africana, encontram-se imagens e vestimentas de orixás, pratos para oferendas e esculturas, algumas delas dentro de caixas.

Presente na reunião, Ubiratan Castro, presidente da Fundação Pedro Calmon (Secult), sugeriu a criação de uma comissão para identificar e decidir para onde irão as peças. “Queremos que seja mista, com representantes do governo e dos terreiros, porque estes últimos podem identificar, datar e afirmar quais são as características culturais de cada obra”.

Para a secretária estadual de Promoção de Igualdade (Sepromi) Luiza Bairros, a ideia de ter alguém para representar os terreiros de candomblé é de extrema importância para garantir a separação das peças de uso religioso. “Estas terão o destino decidido não pelo Estado, mas pelos terreiros. Não podem ser consideradas peças de museu, é o que nos parece mais respeitoso nesse momento”, afirma.

Destino incerto - De acordo com Lícia Maria Afonso, assessora de Raul Barreto Filho, diretor do DPT, o local está sendo usado para abrigar as peças apenas temporariamente. “As peças estão aqui só enquanto o destino delas é decidido”.

Segundo ela, há cerca de 30 anos, quando Maria Thereza Pacheco ainda dirigia o órgão, o professor Estácio de Lima trazia as peças de suas viagens à África. “Ele gostava de candomblé. Aliás, o terreno onde está construído o prédio do Instituto Médico-Legal Nina Rodrigues foi definido pela necessidade de não se cortar uma árvore, que Mãe Menininha disse ser sagrada”.

Em 1997, uma comissão denunciou a exibição das peças ligadas ao candomblé no Museu Estácio de Lima, cujo acervo era composto prioritariamente de anomalias científicas. Na época, o Ministério Público determinou a ida das peças para o Museu da Cidade, mas uma liminar da Justiça obtida pela ex-diretora do DPT Maria Theresa Pacheco, falecida recentemente, fez com que voltassem para lá.
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Candomblé reconhecido em Portugal

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Religião de Origem Africana torna-se Pessoa Colectiva Religiosa em Portugal

A Comunidade Portuguesa do Candomblé Yorùbá tem o prazer de informar que foi reconhecida como Pessoa Colectiva Religiosa em Portugal, depois de longo processo de avanços e recuos com o Registo Nacional de Pessoas Colectivas e Comissão para a Liberdade Religiosa. A partir deste momento a religião dos Orixás de origem africana Yorùbá, também conhecida por Candomblé, passa a ter estatuto igual às demais religiões, como Judaísmo, Islamismo, Jeovás, vários Cristianismos, etc.

A Comunidade Portuguesa do Candomblé Yorùbá é uma comunidade religiosa que se propõe preservar as tradições culturais e religiosas africanas yorùbás-jejes no território português, representando oficialmente a religião e promovendo cerimónias públicas em louvor das divindades, encetando diálogos institucionais a fim de fomentar o diálogo inter-religioso e o melhor conhecimento de uma tradição religiosa que ascende os dez mil anos, pela participação e organização de colóquios, debates, oficinas e formações.

A Comunidade Portuguesa do Candomblé Yorùbá, projecto institucional, é o resultado de um longo processo histórico que envolve Portugal, África e as Américas, colonização, escravidão, perseguição e descriminação; e agora, preservação, diálogo, promoção e restauro da barbárie através de uma nova memória colectiva. A publicação em Janeiro do presente ano do registo oficial como “pessoa colectiva religiosa” representa um momento único na história. A tradição yorùbá (que no Brasil recebe o nome de Candomblé) passa a ter uma estrutura organizada como pessoa colectiva religiosa, pela primeira em dez mil anos de história, e Portugal é o palco de tão grandioso acontecimento.

A religião dos Orixás, a crença Yorùbá e o Candomblé passam a ter uma Casa Mãe, uma organização representativa, uma casa directora e sede do poder religioso em Portugal.

Comunidade Portuguesa do Candomblé Yorùbá
Pessoa Colectiva Religiosa
NIPC 592009190
Herdade da Sesmaria Velha, R. da Primavera n. 28
Coutada Velha, 2130-1010 Benavente, Portugal
E-mail: egbeesinyoruba@gmail.com

Recebido de Egbomy Conceição Reis
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